Eu divirto-me a fazer uns flyers, mas desta vez não tive o tempo ou a paciência para os ir divulgando atempadamente, tenho de melhorar um bocadinho no departamento de markting e publicidade.



Após alguns pequenos imprevisto o MiniZine Nº02 está quase completo, falta só acertar alguns pormenores entre dia 19 e dia 20 vai estar finalmente online.
No primeiro número do MiniZine a história “As Grilhetas Invisíveis” é aquela que saí um pouco do registo auto-biográfico e de drama humano para entrar pelo caminho do fantástico, originalmente era para incluir também uma história de ficção científica ou acção, só que os artistas foram escolhendo as histórias mais pessoais pelo que essas histórias só irão surgir no segundo número do MiniZine.
Apesar de ter um predileção pela Ficção Científica e pelo fantástico encontrar artistas que partilhem esse interesse por aqui tem sido complicado.
A única história que publiquei na outra vida e que saía um pouco do registo de drama quotidiano foi o “Aconteceu” (ilustrado pelo Phermad), que era um policial. A única história de fantasia (More Than Dreams) foi ilustrada por um norte americano, para um projecto nos EUA que acabou por não acontecer tendo sido depois publicada na defunta Nextcomics. Nunca a cheguei a traduzir para publicar em português.
Cheguei a ter outras histórias dentro das temáticas da ficção científica e do fantástico, mas se já é difícil encontrar um desenhistas que esteja disponível para ilustrar um álbum, encontrar um para realizar BD’s dentro daquelas duas temáticas é ainda mais complicado.
Tenho um gosto bastante eclético, gosto de material mais pessoal e intimista, do mesmo modo que gosto de material mais “comercial”, simples entretenimento. Pretendia mostrar esses dois lados no primeiro MiniZine, mas acabou por não ser possível. Eu podia ter ilustrado as histórias elas mereciam uma arte melhor do que aquela que eu posso providenciar, o que me levou a traduzir os guiões para inglês para procurar um desenhista no exterior. Acabei por encontrar e se tudo correr bem o segundo será muito mais “comercial” e fantástico.
Ter reencontrado o Bizarro #02 (Novembro de 1977) foi a oportunidade para reencontrar 2 das minhas citações favoritas sobre a BD nacional:
A Banda Desenhada não existe (isto é, não há público, nos últimos tempos nem sequer fanzines), pelo que os salões e festivais são um verdadeiro bluff, fenómenos artíficais sustentados por fundos camarários completamente desligados da realidade em que vivemos.
Um Autor
Por cá como sempre, fala-se de novas editoras, novas propostas (depois é o que se vê…) salões à porta com o Porto a entrar, fracassos, falhanços, apaganços (já ninguém liga tal é a habituação).
M.A.L.S
Entre 1997 e o presente o Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto desapareceu. Existem outros (eventos) que surgiram e desapareceram ainda mais depressa, e uns (poucos) que lá vão sobrevivendo.
“Aliás, continuo a estranhar o facto de muitas editoras ignorarem os pedidos que faço para me enviarem informação (capas, sinopses) para divulgação… Possivelmente, como estou ligado à BD há muitos anos, já deveria estar habituado…”
– Pedro Cleto
Pequena adenda ao tópico da divulgação, existem aqueles que não dão muito relevo a essa questão, apesar de as vendas continuarem a cair…
Gosto de um livro, revista ou fanzine enquanto objecto, contudo a internet possibilita alcançar um publico mais vasto que um edição de um fanzine com uma tiragem reduzida. Foi um um dos motivos que levou à existência do Bizarro como e-zine no inicio do século e porque o MiniZine fica agora disponível em formato digital.
Quer este número que foi publicado agora quer os números seguintes são constituídos por histórias curtas pelo que não faria muito sentido, nem seria muito prático estar a publicar num formato webcomic, como o fanzine é num formato pequeno optei por uma edição gratuita em PDF que pode ser lida online, ou feito o download. Para além disso também podem partilhar o zine em redes sociais ou nos vossos blogues.
A Edição digital é uma maneira de ultrapassar limitações que um fanzine de baixa tiragem, com distribuição limitada tem. É um método simples de chegar a um público mais vasto e dar a conhecer o trabalho realizado.
Leiam, comentem, partilhem. A edição do número dois deverá acontecer quase em simultâneo com a edição de papel.
Chamem-lhe saudosismo mas tenho saudades das secções de BD dos jornais regionais que divulgavam a BD dum modo abrangente. Era uma maneira simples e prática de ir ficando a conhecer o que se ia fazendo a nível “profissional” e “amador”. Essas secções tinham muito pouco peso na venda de fanzines e similares, embora conseguissem ser mais relevantes que secções de jornais nacionais. Contudo para quem publicava (ou queria ser publicado) era uma boa maneira de ir ficando a conhecer o que se ia fazendo por esse Portugal fora e também no exterior.
Curiosamente hoje que a internet tornou a circulação de informação mais fácil, esta encontra-se mais dispersa do que à uma década ou duas.
Apesar das suas falhas a Central Comics ainda é o melhor site a nível de divulgação de informação, é abrangente não possuindo um existe um linha “editorial” que veda a difusão de determinadas obras. É também o único site que existe, o restante são blogs dispersos que são um reflexo dos gostos pessoais dos autores, e não um projecto “jornalistico” para divulgação do “mercado” nacional de banda desenhada.
Mesmo assumindo que a maioria dos blogs pertencem a fãs, sem qualquer tipo de formação jornalistica, não se compreende a ausência de um projecto jornalistico um pouco mais ambicioso que um blog. O jornalismo que existe a nível de banda desenhada vive muito dos fãs, e ausência de formação jornalistica não impediu o surgimento de fanzines e sites dedicados á promoção e divulgação que foram ferramentas cruciais para o desenvolvimento da Banda Desenhada.
Eu para me chatear com pessoas têm de me pagar, sim porque uma crítica negativa escrita, mesmo que bem argumentada, implica que se perca uma amizade no final… os portugueses na sua generalidade são assim. Por isso o país também está onde está, não é só em relação à BD, e em relação a tudo.”
– Nuno Amado
As palavra do Nuno Amado foram retiradas de um texto publicado no Leituras de BD onde esclarece que não é um crítico mas um divulgador de BD, uma distinção que a maioria das pessoas não compreende, a começar pelos próprios. Para divulgar a Banda Desenhada não é preciso fazer um tratado relativamente à perfeição como uma obra capta a problemática do migração das andorinhas, contudo, convinha que existisse um mínimo de esforço (e conhecimento) para pegar num press release e transforma-lo num texto que divulgue e enquadre um lançamento, não se limitando unicamente a divulgar um informação onde (por vezes) um auto-promoção exacerbada.
O Leituras BD até é um dos blogs mais abrangentes em termos da informação que divulga, mas é essencialmente um blog pessoal, como são todos os restantes. Sei por experiência própria que ter acesso a informação não é fácil, existem autores e editores (sejam eles amadores ou “profissionais”) que não se dão ao trabalho de fazer a informação chegar a quem a pretende divulgar, quando não são grandes meios de difusão, ou suficientemente “profissionais”. Andar à cata de notícias é um bocado irritante. Agora isso não justifica que existindo críticos/divulgadores “oficiais” que sendo capazes de colaborar em Associações que (supostamente) visam a divulgação da Banda Desenhada sejam incapazes de desenvolver um projecto Informativo no sei destas Associações, nem que seja como meio de informação dos associados.
O defunto clube Comicarte durante vários anos editou um boletim que informava o sócios do que era editado a nível nacional, e com referências ao que consideravam mais relevante a nível internacional, era uma simples página A4 com pequenas noticias e criticas, a algo simples e eficaz, perfeitamente replicável hoje em dia utilizando um ferramenta como o Blogger, que até elimina os custos que a impressão de um boletim de papel possuindo a vantagem de a informação não estar limitada pela espaço físico de uma publicação de papel.
Existem pelo menos umas 3 Associação cujo principal objectivo é a promoção/divulgação da banda Desenhada, contudo nem uma tem um veículo de informação que divulgue algo mais que os eventos da Associação e dos seus associados. Compreendo a primazia que esses eventos tem, e devem ter, numa associação; é mais difícil de compreender ficarem centrados unicamente nesses eventos e publicações. Uma informação mais abrangente tornaria a visita desses veículos de informação mais apelativa, não só para os associados mas também para o público em geral. E poderia ser útil aos associados ficarem a par do que se passa num mercado que (supostamente) lhes interessa.
Contudo vivemos num país onde as pessoas gostam muito de viver centradas no seu umbigo, no circulo de amigos e associados lamentando que o mundo os ignora e não dá valor ao que fazem.