O aCalopsia quando surgiu não tinha como objectivo ser um projecto de divulgação, um site generalista. A minha ideia original para o aCalopsia era fazer um blogue pessoal onde iria escrever sobre assuntos de BD que me interessavam, a escolha do nome a Calopsia esteve relacionado com esse facto: era uma maneira de dizer que era a minha visão – salientando que todas as pessoas têm, regra geral, a vista turva quando falam do que gostam – contudo o blogue acabou por se tornar num site enuma verdadeira aCalopsia.
Deixei-me levar, o aCalopsia passou de um blogue pessoal para uma espécie de site noticioso, dentro das contingências de um projecto que não é sustentável financeiramente.
Agora, o meu problema é que apesar de gostar do formato actual e da informação que se encontra por aqui, o meu tempo é limitado. Sendo este um projecto não remunerado, e não tendo eu qualquer ambição de ser jornalista, crítico ou “divulgador” de BD, as actualizações terão de passar a ser mais esporádicas.
Algo que só não aconteceria se eu pretendesse continuar a deixar para segundo plano outros projectos pessoais, e não só.
Para o aCalopsia continuar a existir um ritmo de actualizações regular, será necessário existirem outros colaboradores regulares que assegurem pelo menos alguns dos textos noticiosos, sejam das publicações regulares para bancas ou de álbuns para as livrarias.
O Bizarro quando se transformou num site chegou a ter uma espécie de redacção, contudo era um bocado caótica e sempre sofreu de um mal: não existia um hierarquia bem definida. Parte do problema era derivado de, a partir de determinada altura, eu ter deixado de ser editor mas continuar a ser o editor.
Algo que não aconteceu por eu gostar de ingerir em responsabilidades alheias, simplesmente em certas alturas era preciso colocar as coisas a mexer, para que o projecto não parasse como veio a suceder assim que me desliguei de vez.
Agora, o aCalopsia é uma situação diferente. Independentemente de virem a existir outras pessoas a ter responsabilidades editoriais, a última palavra é mesmo minha. Não quer dizer que não deixe as outras pessoas moldarem o projecto, mas existem certos aspectos que estão definidos. Se os outros não concordarem não faz mal, escusam é de me fazer perder tempo e de perderem o tempo deles.
A principal diferença entre o Bizarro e o aCalopsia é que o primeiro existiu numa altura em que eu já estava farto da mundinho da BD, de ser editor, e queria mesmo passar a pasta, por completo. Aliás, o Bizarro só existiu enquanto projecto editorial porque o João Machado estava, supostamente, na altura interessado na ideia do Bizarro enquanto plataforma de publicação e divulgação online. Eu, quando criei o site do Bizarro estava simplesmente a criar uma plataforma para poder publicar algum material de modo a poder atingir uma audiência mais vasta com os recursos que possuía. Na realidade nunca planeei continuar a editar o Bizarro, o site era suposto ser – como acabou por ser – o canto do cisne desse projecto. Agora o aCalopsia, desde o início que foi concebido para ter uma continuidade, dentro das possibilidades existentes. Só não estava nos planos era transforma-se num projecto informativo, algo que veio dar-me um trabalho extra, e que tem implicado algumas dores de cabeça.
Para existir enquanto projecto informativo, o aCalopsia, como qualquer outro projecto similar, nunca pode fruto do trabalho de uma só pessoa.
Por vezes o nosso maior sucesso pode ser o maior fracasso.
O Bizarro foi um fanzine que comecei a editar em 1997 e que teve uma história atribulada que terminou em 2004 com um epílogo em 2007.
Antes do Bizarro eu já tinha editado outros fanzines, nomeadamente o Arkham (1número), Ultimacto (1 número), Aardvark (4 números) e um número do Boletim do Clube Português de Banda Desenhada. O Bizarro era uma evolução natural dos esforços anterior, o resultado foi melhor e mais coerente do que os esforços anteriores, pelo menos foi assim nos três primeiros, ao quarto número a coisa descambou um bocado resultado do meu desalento com o projecto e por já não estar muito empenhado no Bizarro. O quarto número que teve com número de capa o 12 estava muito mauzinho e foi o primeiro número que não tinha um só história escrita por mim. O número anteriores, terceira na cronologia e com o 4 como número de capa, apesar de também não possuir BD da minha autoria tinha material e um consistência a nível de formato e de linha editorial.
O número 12 era mau, e só foi mesmo editado porque sim, sem grande convicção, nesta altura tinha virado editor quando esse trabalho tinha sido uma necessidade para me publicar. Comecei a fazer fanzines para me publicar, não tinha, nem tenho a ambição de ser editor, sou acima de tudo um autor. Só que nessa altura tinha virado editor, e a maioria já se tinha esquecido que eu escrevi e desenhava, incluindo eu próprio.
O número 21 (5º na cronologia) tem data de capa de Maio de 2000 mas só foi publicado uns meses depois. Esse número aconteceu sobretudo devido ao Paulo Amorim, um dos autores e editores do Vertigens. O Paulo tinha material para publicar que era para o terceiro número do Vertigens que nunca chegou a ser publicado, eu ainda tinha algum material que me tinham enviado para publicar. Co-editarmos o Bizarro parecia uma boa ideia, sobretudo porque o Paulo é que iria fazer as maquetes.
O resultado final foi mais um Vertigens nº3 do que um Bizarro nº5. É que eu acabei por ser só editor no papel, e colaborei só com os textos. Muito do material que foi publicado foi escolha do Paulo e a abordagem gráfica era algo que reflectia só a sua visão. Apesar de tudo estava um excelente fanzine.
Entretanto eu tinha andado a fazer algumas coisas, e foram-me enviando mais material pelo que acabei por editar um Bizarro #06 que regressou á numeração por ordem cronológica e estava mais perto daquilo que eu pretendia do Bizarro enquanto fanzine, quer a nível gráfico quer a nível de histórias. Foi o fanzine que marcou o meu regresso ás páginas do Bizarro enquanto autor (argumentista) sob pseudónimo e tem das minhas primeiras colaborações com outros autores (Elina Dias e Phermad).
O fanzine estava bom, mas não estava a planear continuar com o Bizarro, andava mais focado em concluir alguns projectos enquanto argumentista, quando começaram a surgir algumas das histórias curtas que tinha feito, comecei a pensar onde iria publicar, o Bizarro parecia um boa opção, mas as edições de papel tinham um alcançe restrito, pelo que decidi fazer um versão digital do fanzine.
A ideia de colocar o material do Bizarro on-line já tinha algum tempo, chegou a haver uma primeira tentativa que foi abortada por divergências criativas entre mim e o webmaster, por isso desta vez resolvi fazer as coisas de uma maneira mais simples, peguei no FrontPage e meti-me a aprender a fazer um site.
Foi assim que Bizarro começa a ter um presença na net, com o design possível pelos meus parcos conhecimentos de html. Conhecia dos fóruns e mailing list o João Machado que editava um webzine de prosa onde cheguei a colaborar e que tinha uns conhecimentos de webdesign um pouco melhores do que os meus, acabei por o convidar para fazer o design do Bizarro, algo que ele aceitou. A minha ideia era publicar as minhas novas histórias e algum do material publicado em papel e o projecto terminava aí, só que o João achava que valia a pena continuar com o Bizarro criando um espaço onde fosse possível publicar BD, ilustração e divulgar BD em português. Eu concordava com ele, só que não andava muito inclinado para ser editor. O rapaz insistiu e acabamos por chegar a um acordo em que ele iria ser o editor, começa aí a melhor fase do Bizarro.
O Bizarro ganha um design decente, começa a publicar BD, prosa, ilustração, artigos, criticas e notícias. A quantidade de material era grande e o trabalho também. A grande maioria do trabalho a nível de ilustração era sobretudo de autores estrangeiros que arranjar colaborações de autores nacionais era complicado, mesmo uma selecção de ilustrações que tinham feitas em casa. É que sabem, participar num projecto na net não chegava a gente suficiente, que isso da net ninguém liga!
Existem algumas histórias giras que eu podia contar, mas não vale a pena.
Foi editado mais um fanzine com histórias escritas por mim e ilustradas pelo Janus, João Mascarenhas e Marta Gomes, mais uma curta do David Soares.
Dos outros projectos que eu tinha quase todos acabam por não se realizar, a nível pessoal tinha outros problemas que me fazem ter ainda menos interesse fazer BD ou estar ligado a ela. Em 2004 afasto-me do Bizarro, entretanto o João vai tendo outras coisas com que se preocupar e Bizarro deixou de ser actualizado, mais tarde o domínio não é renovado e desaparece da net. Os discos de backup desapareceram, ou estão perdidos no meio dos cds de alguém, Aquilo que foi o site do Bizarro é algo que só quem colaborou ou leu na altura sabe e que dificilmente vai ser possível recuperar, nem mesmo um simples screendshot.
O Bizarro desapareceu, mas continuou a perseguir-me, em 2007 pensei em fazer uma edição comemorativa dos anos do Bizarro para encerrar o capitulo, convidei autores, reuni material, escrevi uma curta foi a primeira BD que assino com o pseudónimo de Chaka Sidyn. Contudo, a vontade de ser editor não estava cá, o investimento ainda era significativo para as minhas posses, pelo meio metem-se outros problemas a níveis pessoais e o Bizarro 10 nunca foi editado.
Mais tarde coloquei algum do material que tinha on-line no Foi Bizarro. Mais do que um maneira de trazer de volta o Bizarro, foi uma experiência para ver como aquela plataforma de publicação de BD funcionava. Quando o site do Bizarro foi feito existiam muitas poucas ferramentas para publicar BD, o site funcionava com Movabletype adaptado com uns scripts para possibilitar a publicação e automatismos necessários.
Hoje em dia publicar BD on-line é um bocadinho mais prático, existem várias alternativas que possibilitam um publicação eficaz, sem requerem grande conhecimento de publicação. Por cá poucos parecem interessados em as explorar, eu pessoalmente penso voltar a publicar BD online em breve, mas algo que não é um projecto colectivo como o Bizarro mas pessoal, com a eventual colaboração de um desenhista.
O Bizarro sempre foi um projecto que visava a divulgação dos autores no geral, a criação de um plataforma que permitisse uma publicação regular, mas os autores geralmente não estão muito interessado na criação de algo que seja um projecto de médio longo curso, que não tendo um retorno imediato, permite o seu desenvolvimento enquanto autores e sua divulgação a um publico alargado.
Em termos monetários seria extremamente complicado compensar equitativamente os autores, eram demasiados, no fundo o bizarro sofreu dessa ironia, publicou demasiados autores sem nunca ter autores a produzirem regularmente.
Olhando para trás, tenho de admitir, o Bizarro foi demasiado ambicioso, mas apesar de ter falhado em vários aspectos foi um experiência enriquecedora e que valeu a pena.
Podia ter sido melhor, mas no tempo em que foi feito, fazer mais do que aquilo que foi feito era difícil.
Os projectos criativos tem estado um pouco parados devido a umas situações pessoais, e devido ao trabalho que tenho estado a desenvolver no aCalopsia.
O aCalopsia, mudou-se do Blogspot para domínio próprio passando a utilizar o WordPress com CMS, em principio. Até ao final do mês a actividade do aCalopsia deve normalizar.
aCalopsia surgiu da necessidade de falar sobre BD sem desviar este blogue daquilo que é fundamental: os projectos Sanktio, ou se preferirem os meus projectos. Existem apontamentos sobre a BD nacional que gosto de fazer, assim como existem modos de publicação alternativos que me interessam e sobre os quais me apetece falar ou guardar apontamentos para consulta futura.
The Private Eye de Brian K. Vaughan e Marcos Martin é um daqueles projectos que me despertam a atenção devido à qualidade do projecto em si e por explorarem novos métodos de publicação que fogem da normas estabelecidas e podem ser uma alternativa para um mercado limitado como é o português. Contudo como os projectos que ando a desenvolver podem demorar um pouco a serem concretizados se fosse a escrever sobre outros temas neste blogue em breve as informações sobre os projectos Sanktio seriam submergidos por informações sobre projectos alheios, nacionais ou estrangeiros. Como o motivo principal deste blogue é permitir que tem tem curiosidade sobre os projectos da Sanktio possa encontrar essa informação facilmente surgiu a aCalopsia, que marca o meu regresso à vida de Blogger e divulgador depois de já ter feito esse trabalho para o Bizarro, outros sites e Mondo Bizarre entre outras publicações.
As cinco fases do luto aplicam-se ao luto real de quando falece alguém do mesmo modo que se aplicam ao luto emocional de quando uma relação que termina.
No caso em particular da história “As 5 fases do luto” o tema é mesmo a reacção a uma separação dolorosa, a génese da história é uma simples ilustração que resumia essas fases de um modo simples e eficaz. Na altura em que me cruzei com a ilustração estava a passar por uma dessas fases de luto, tendo o tema sido motivo de conversa com uma amiga, razão pela qual fazer uma versão minhas dessa fases foi um boa maneira de exorcizar sentimentos que sentia.
Apesar de conter aspectos auto-biográficos existem outros que são pura ficção. Não me agrada fazer histórias claramente auto-biográficas porque ao falar da minha vida estou também a falar de outras pessoas que podem preferir manter em privado a sua vida. A mim também não me agrada expor demasiado a minha, pretendo sobretudo explorar os sentimentos vividos, ao transformar eventos reais em ficção é uma forma de terapia que permite falar de sentimentos que todos sentimos sem entrar em detalhes de uma situação vivida.
A ideia era fazer simplesmente uns cartoons mas acabou por se tornar numa em algo mais sequencial, banda desenhada em vez de ilustração pura com pequenos textos, como era a ideia original.
O Derradé foi a escolha inicial para desenhista, já o conheço à bastante tempo e tem sido uma presença regular nos fanzines que edito. Como ele se dedica ao humor e eu tenho um apetência pelo drama e acção nunca apareceu uma história em que fosse possível colaborar-mos. “As 5 fases do luto” era uma boa maneira de o ter a colaborar no MiniZine, não equacionei publicar algo escrito e desenhado por ele, porque a ideia do Minizine é mesmo publicar as minhas histórias, podem ser ilustradas por outras mas guião é meu, afinal tenho guiões suficientes para para vários Minizines. Isto é, se eu pretendesse re-formatar as histórias para o formato A6.
Apesar de não me sentir muito confortável a escrever humor, as “5 fases” são mais trágicomédia do que comédia pura, assim como todas a relações que não resultam, e a colaboração com o Derradé acabou por não resultar apesar dele ter feito uns cartoons porreiros.