Etiqueta: Divulgação

  • “Aliás, continuo a estranhar o facto de muitas editoras ignorarem os pedidos que faço para me enviarem informação (capas, sinopses) para divulgação… Possivelmente, como estou ligado à BD há muitos anos, já deveria estar habituado…”

    – Pedro Cleto

    Pequena adenda ao tópico da divulgação, existem aqueles que não dão muito relevo a essa questão, apesar de as vendas continuarem a cair…

  • Chamem-lhe saudosismo mas tenho saudades das secções de BD dos jornais regionais que divulgavam a BD dum modo abrangente. Era uma maneira simples e prática de ir ficando a conhecer o que se ia fazendo a nível “profissional” e “amador”. Essas secções tinham muito pouco peso na venda de fanzines e similares, embora conseguissem ser mais relevantes que secções de jornais nacionais. Contudo para quem publicava (ou queria ser publicado) era uma boa maneira de ir ficando a conhecer o que se ia fazendo por esse Portugal fora e também no exterior.

    Curiosamente hoje que a internet tornou a circulação de informação mais fácil, esta encontra-se mais dispersa do que à uma década ou duas.

    Apesar das suas falhas a Central Comics ainda é o melhor site a nível de divulgação de informação, é abrangente não possuindo um existe um linha “editorial” que veda a difusão de determinadas obras. É também o único site que existe, o restante são blogs dispersos que são um reflexo dos gostos pessoais dos autores, e não um projecto “jornalistico” para divulgação do “mercado” nacional de banda desenhada.

    Mesmo assumindo que a maioria dos blogs pertencem a fãs, sem qualquer tipo de formação jornalistica, não se compreende a ausência de um projecto jornalistico um pouco mais ambicioso que um blog. O jornalismo que existe a nível de banda desenhada vive muito dos fãs, e ausência de formação jornalistica não impediu o surgimento de fanzines e sites dedicados á promoção e divulgação que foram ferramentas cruciais para o desenvolvimento da Banda Desenhada.

    Eu para me chatear com pessoas têm de me pagar, sim porque uma crítica negativa escrita, mesmo que bem argumentada, implica que se perca uma amizade no final… os portugueses na sua generalidade são assim. Por isso o país também está onde está, não é só em relação à BD, e em relação a tudo.”

    – Nuno Amado

    As palavra do Nuno Amado foram retiradas de um texto publicado no Leituras de BD onde esclarece que não é um crítico mas um divulgador de BD, uma distinção que a maioria das pessoas não compreende, a começar pelos próprios. Para divulgar a Banda Desenhada não é preciso fazer um tratado relativamente à perfeição como uma obra capta a problemática do migração das andorinhas, contudo, convinha que existisse um mínimo de esforço (e conhecimento) para pegar num press release e transforma-lo num texto que divulgue e enquadre um lançamento, não se limitando unicamente a divulgar um informação onde (por vezes) um auto-promoção exacerbada.

    O Leituras BD até é um dos blogs mais abrangentes em termos da informação que divulga, mas é essencialmente um blog pessoal, como são todos os restantes. Sei por experiência própria que ter acesso a informação não é fácil, existem autores e editores (sejam eles amadores ou “profissionais”) que não se dão ao trabalho de fazer a informação chegar a quem a pretende divulgar, quando não são grandes meios de difusão, ou suficientemente “profissionais”. Andar à cata de notícias é um bocado irritante. Agora isso não justifica que existindo críticos/divulgadores “oficiais” que sendo capazes de colaborar em Associações que (supostamente) visam a divulgação da Banda Desenhada sejam incapazes de desenvolver um projecto Informativo no sei destas Associações, nem que seja como meio de informação dos associados.

    O defunto clube Comicarte durante vários anos editou um boletim que informava o sócios do que era editado a nível nacional, e com referências ao que consideravam mais relevante a nível internacional, era uma simples página A4 com pequenas noticias e criticas, a algo simples e eficaz, perfeitamente replicável hoje em dia utilizando um ferramenta como o Blogger, que até elimina os custos que a impressão de um boletim de papel possuindo a vantagem de a informação não estar limitada pela espaço físico de uma publicação de papel.

    Existem pelo menos umas 3 Associação cujo principal objectivo é a promoção/divulgação da banda Desenhada, contudo nem uma tem um veículo de informação que divulgue algo mais que os eventos da Associação e dos seus associados. Compreendo a primazia que esses eventos tem, e devem ter, numa associação; é mais difícil de compreender ficarem centrados unicamente nesses eventos e publicações. Uma informação mais abrangente tornaria a visita desses veículos de informação mais apelativa, não só para os associados mas também para o público em geral. E poderia ser útil aos associados ficarem a par do que se passa num mercado que (supostamente) lhes interessa.

    Contudo vivemos num país onde as pessoas gostam muito de viver centradas no seu umbigo, no circulo de amigos e associados lamentando que o mundo os ignora e não dá valor ao que fazem.

  • A Especiaria deve circular.

    Frank Hernbert – Dune

     A informação também devia circular, existia um slogan que dizia que a informação quer ser livre, contudo é complicado ela ter essa liberdade quando não é difundida. Os grandes meios de comunicação tem uma tendência para ignorar pequenos eventos, de limitar a informação que difundem ao que é mais popular, que vai vender mais. A internet veio permitir a existência de canais de divulgação alternativos, contudo não basta criar-se um canal para divulgar informação, é necessário que as pessoas tenham conhecimento da sua existência, caso contrário a informação fica limitada à audiência reduzida que é o circulo de amigos e conhecidos do autor.

    Quando o objectivo é divulgar informação é necessário que também se tenha uma maneira de a receber, para podermos ser informados do que acontece e retransmitir essa informação, com conteúdo critico adicional ou não.


    O mais surpreendente ao passear pelos blogs/sites sobre BD é descobrir que a maioria não possuí uma maneira simples os responsáveis. Não existe um morada de e-mail para onde seja possível enviar a informação, ou um página de contacto que servia de “caixa de correio” para entrar em contacto com o(s) autor(es) do blog/site.

    Apesar do meio ser pequeno, muito pequeno, e ser fácil conhecer-se as pessoas todas, a verdade é que sites/blogues que pretendam divulgar a banda desenhada (ou outra arte) deviam ter uma maneira fácil de se entrar em contacto, para se poder enviar informações sobre os eventos ou publicações que se fazem. Na ausência de um meio de contacto com os autores/divulgadores quem quiser transmitir-lhe uma informação vê-se forçado a deixar essa informação num comentário que deveria servir para falar do que o autor/divulgador escreveu, e não sobre algo que outra pessoa pretende promover.

    Se o meio é pequeno, o público é reduzido e tem vindo a desaparecer, quem pretende divulgar a arte que é a banda desenhada deveria ter uns pequenos cuidados com algo tão simples como permitir um fácil contacto por parte de quem pretende divulgar o seu trabalho.

    Não é este pequeno detalhe que me impediu de enviar a informação sobre o lançamento do Minizine para a maioria dos sites/blogues mas tornou a tarefa mais complicada. A informação chegou à maioria das pessoas que a poderiam divulgar a um público que em principio tem interesse em saber novidades sobre BD, a divulgação ou não dessa informação ficou completamente ao critério de que a recebeu, e aos critérios “editoriais” que utilizam.

    Curiosamente dos poucos que divulgaram o MiniZine a maioria esqueceu-se de indicar a morada do blog, algo que para uma publicação amadora é um bocadinho prejudicial, se a maioria das pessoas não tem disponibilidade para estar a efectuar encomendas, em particular de publicação alternativas em que não conhecem a maioria dos autores, existe sempre uma curiosidade em ficar a conhecer um pouco melhor o trabalho.

    Uma notícia publicada num blog/site podendo não se transformar numa venda, pode servir para ter tráfego num blog, para ganhar algumas pessoas que começam a seguir o trabalho que se efectua.

    A indicação do sitos de autores e de uma publicação de circulação restrita deveria ser algo corriqueiro, contudo por estes lados, esse pequeno detalhe é geralmente esquecido, e se alguém quiser ficar a saber mais sobre um determinado assunto terá de recorrer ao Google! Parece ser essa a filosofia (errada) de alguns divulgadores.

    Num mercado cada vez mais frágil, o “mundinho” da BD tem um tendência a comportamentos autofágicos. Não é exactamente uma novidade, só a mera constatação de um facto.