Eu sei que as pessoas gostam de uma borla, e para esses em breve haverá novidades, mas entretanto tenho aqui alguns fanzines para vender, e apesar de algumas “indisponibilidades” sempre foi possível colocar o fanzine à venda em alguns locais.
O Minizine tem duas coisas que não jogam a seu favor para serem vendidos num loja: 1º o tamanho; 2º o preço que não dá quase lucro nenhum em relação ao trabalho que a loja terá ao coloca-lo à venda. Não creio que estes dois factores sejam determinantes para a posição de alguns lojistas, é simplesmente um politica instituída relativamente à produção nacional. Este opinião tem como base informações prévias e conversas sobre o tema que fui tendo ao longo dos anos, não é por estar ressabiado ou algo semelhante.
Um dos motivos para fazer o MiniZine num formato A6 e com um preço barato teve mesmo a ver com as dificuldades de um mercado em que não parece existir um circuito alternativo capaz de sustentar ou permitir a comercialização de edições independentes.
O pequeno formato do Minizine permite que me seja possível andar com meia dúzia de exemplares no bolso e vender em mão quando se encontra uns conhecidos, ou possíveis interessados.
Aquilo de que tenho a certeza é de que tomei as opções correctas. Editar o MiniZine num formato maior; numa tiragem maior; arranjar um ISBN e tratar de outras formalidades para disfarçar o fanzine de Revista, ou algo semelhante, é quase uma perda de tempo que não tem qualquer utilidade prática, a única que poderia existir seria a de poder colocar à venda num circuito “oficial” como as FNAC’s, mas esse circuito também não parece ser capaz de ajudar a escoar fanzines/revistas de 100 ou 200 exemplares de tiragem.
O formatinho, o ser fanzine, o amadorismo assumido que parece irritar alguns foram opções conscientes, e que não se deveram a um suposta falta de ambição ou simples falta de liquidez financeira. Tendo em conta o frágil mercado da banda desenhada nacional e a ausência de um circuito alternativo, o Minizine funciona bem neste formatinho. É um bom cartão de visita, uma maneira simples de ir publicando algumas histórias curtas enquanto se vai trabalhando em uns projectos mais “ambiciosos”.
Foram 10 anos sem publicar um página em papel, e só publicando duas curtas online, já estava na hora de começar a publicar e produzir com regularidade e este formato por agora é mesmo a melhor opção.
Por vezes sou demasiado crítico e posso pecar por um excesso de perfeccionismo, algo que pode ser contraproducente. Por um lado faz com que acabe por demorar demasiado tempo a concluir alguns projectos por preocupações que para outros julgam desnecessárias, depois existe o risco de afugentar os colaboradores, mas é um risco que por vezes vale a pena correr. “Um dia” é uma história que acaba por reflectir o meu sentido crítico e o meu pior pesadelo – assim com de qualquer argumentista – um desenhista que faz alterações sem aviso prévio ou qualquer consulta.
“Um Dia” a versão inicial e versão final.
A Daniela Viçoso efectuou pequenas alterações na planificação das pranchas, a principal alteração foi ter optado por colocar o texto fora das vinhetas, isso resultou bem com excepção da prancha 3, que é também aquela prancha que sofreu mais alterações relativamente ao modo como eu tinha concebido a sequência. O texto estava planeado para ser colocado numa prancha com outra disposição das vinhetas, e colocado no topo ficava um bocado inestético, a prancha ficava desequilibrada com o texto contando logo o que se passava nas vinhetas subsequentes.
Ao colocar o texto entre as vinhetas a prancha ficou mais equilibrada e manteve o mesmo ritmo narrativo das pranchas anteriores.
A primeira frase ter desparecido foi uma das opções unilaterais da Daniela, que resultam e, com as quais não me importei minimamente.
O contraste dos cinzentos foi alterado devido a uma preocupação técnica e não por uma questão de estética. Contudo acabou por ter um agradável efeito visual. Devido ao tons de cinzento serem muito escuros, temia que quando a história fosse impressa eles poderiam transformar-se em manchas de preto cobrindo o traço. É que a impressão não seria feita de um modo que pudesse assegurar a fidelidade das pequenas variações de tonalidade.
Eduarda, e outros álbuns, de Miguel Rocha não reflectiam a qualidade do trabalho gráfico das pranchas originais, devido às variações dos tons de cinzento terem virado simples manchas uniformes quando impressos. Quem viu os originais do Miguel Rocha expostos pôde verificar como o trabalho dele sofreu com a impressão. Não podendo ter uma impressão que assegure uma fiel reprodução das tonalidades da pintura (manual ou digital) o melhor é utilizar tramas, mas isso já era estar a pedir um bocadinho demais, uma vez que implicava um trabalho adicional, alterando também o resultado final a nível do ambiente criado e originalmente pensado.
Na versão impressa de “Um Dia” os tons de cinzento acabaram por ficar quase com a mesma tonalidade que estava originalmente pensada.
Estas pequenas afinações, que esta e outras histórias sofreram, podem ser consideradas desnecessárias para algo que é feito para um fanzine, mas eu gosto de encarar o trabalho que faço com o máximo de profissionalismo possível, mesmo que seja em algo feito por prazer para um pequeno fanzine.
“As Grilhetas Invisiveis” começou como uma série de ideias para ilustrações como pedaços de textos que possuíam uma ligação, acabei por escrever um guião para uma história, apesar de não ser algo muito sequencial. Foi o Pedro Miranda acabou por transformar “As Grilhetas” numa história de BD em vez de um conjunto de ilustrações soltas.
Como vi os layouts antes da arte estar terminada acabei por fazer umas pequenas alterações à história acrescentando umas sequências que não estavam originalmente planeadas mas tornaram a história mais fluida. Acabou por ficar melhor do que eu estava à espera. Ver layouts em vez de receber as pranchas finalizadas tem essas vantagens, não sou obrigado a ter de aceitar alterações à história que o desenhista resolve fazer unilateralmente, e, permite fazer alterações que julgamos serem benéficas para tornar o trabalho mais coeso.
Quando não existe uma colaboração regular, comunicar e trocar ideias é sempre benéfico, para se transmitir a mensagem da melhor maneira possível de modo a que ambos os autores ficarem satisfeitos com o resultado final.
O Minizine nº01 já está disponível em alguns sítios (Kingpin, Vilelivro) nos próximos dias é provável que se encontro à venda em outros locais. Depois irei colocar uma lista dos pontos de venda quando isso se justificar.
Quem quiser poderá também encomendar através de (sanktio @ outlook.com), o preço é 2€ portes de correio incluídos, se morarem na zona metropolitana de Lisboa posso entregar em mão.
Agora tenho de continuar a tratar da parte mais chata de fazer um fanzine, promover e falar com lojas. É que esse mesmo o trabalho que eu dispensava ter de fazer, mas não existe maneira de o evitar.
Já está na “gráfica”. A paginação está completa, os textos revistos, os pequenos pormenores foram acertados, a maquete foi entregue, agora é só aguardar que seja impresso. Existem pequenos detalhes que poderiam estar melhor, que me sentia tentado a mudar, mas não creio fosse necessário. As opções a nível do papel e método de impressão poderiam ter sido outras mas, dentro das limitações existentes, creio ter feito a melhor escolha.
Capa do MiniZine Nº1 por Chaka Sidyn
Agora é uma questão de aguardar. Dia 16 o Minizine número um sai para a rua, marcando o meu regresso às edições de papel, uma década depois do Bizarro 7.
Por estranho que pareça a minha ausência foi realmente prolongada.
“Um dia” foi das poucas histórias que escrevi em que efectuei alterações significativas no guião devido a uma critíca. Antes de entregar o guião à Daniela Viçoso, o José Lopes leu o guião e para variar um pouco fez uma critica à maneira como a história estava contada e não à história que era contada.
A maioria das vezes em que as pessoas fazem criticas a uma história, em particular quando esta não está concluída o que criticam é a história que se conta e não a maneira como está contada. A estrutura narrativa, a construção da personagens e o modo como a mensagem é transmitida. É usual criticarem a mensagem, tentando que ela seja aquilo que gostavam de transmitir.
Eu pessoalmente estou interessado é em saber como posso melhorar o modo como transmito a mensagem, como conto a história. Porque se eu quisesse transmitir outra mensagem teria escrito outra história e não aquela sobre a qual peço opinião.
Grabiel Bá e Fábio Moon são autores premiados no Brasil e nos Estados Unidos, mais conhecidos do público em geral pelo seu trabalho em Casanova (com Matt Fraction) e Umbrella Academy (com Gerard Way) contudo o começo da sua carreira foi no fanzine “10 Pãezinhos”, que ganhou diversos prêmios HQ Mix.
10 Pãezinhos: Fanzine” é um álbum editado pela Devir Livraria que reúne a algumas das histórias curtas realizadas pelos gémeos para o fanzine, sendo também autobiografia do início da sua carreira. Para além do material republicado existem pequenos textos sobre o material e a época em que foram publicados. Para além de podermos verificar a evolução artística do gémeos, é possível ficarmos a saber como foram construindo a sua carreia.
Ao longo de mais de 200 páginas vamos observando a evolução enquanto autores de Gabriel Bá e Fábio Moon, fruto de uma produção regular quase toda ela sendo feita para um simples fanzine, algumas das quais foram publicadas já quando a possibilidade de ser editados nos Estados Unidos era uma realidade e não uma simples miragem, ou um mero desejo.
O facto mais surpreendente é a maioria dos 10 Pãezinhos se limitarem a ser uma página A4 dobrada, um simples fanzine de 4 páginas A5 publicadas semanalmente.
O formato surpreendeu-me, a é ideia foi inspiradora, em particular porque nesta terrinha, os fanzines tornaram-se em complexos objectos de (suposta) arte, geralmente publicadas com uns apoios que se desenrasca ou então são fanzines não assumidos, publicações com belo papel e longas listas de autores (que os tem de comprar se quiserem ficar com uma cópia) são revistas, de nome que no resto… mas enfim.
Um fanzine de 4 páginas A5 publicado semanalmente é uma boa maneira de ir publicando a um ritmo regular. É claro que isso fazia mais sentido noutra altura. Hoje para ir publicando BD a um ritmo semanal faz mais sentido publicar um webcomic que permite abranger um publico maior e construir uma narrativa mais complexa que curtas histórias de 1, 2 ou 4 páginas. Contudo a ideia de um fanzine pequena e regular ficou na minha cabeça, não gosto muito de fazer história de 4 páginas ou menos, tenho uma fixação de que histórias curtas devem de ser de 8 páginas.
Depois de pensar algum tempo lembrei-me que se fosse dobrasse uma página A4 em 4 ficava com 8 páginas, mesmo assim parecia-me pequeno demais, sobretudo para algo que na altura considerava fazer no máximo a um ritmo trimestral, duplicando o número, já dava 16 páginas, um tamanho que já considerava razoável e me permitia manter o custo num minimo.
O formato A6 agrada-me, tem muitas limitações em termos de espaço, mas permite fazer uns livrinhos engraçados. Desde de que li vários números das colecções Quadradinho e Patte de Mouche que queria fazer algo para esse pequeno formato, cheguei a escrever, e fazer layouts para uma história nesse formato, mas nunca chegou a ser concluída.
A ideia agradava-me, gostava do formato, e 16 páginas era algo que me permitia voltar a desenhar sem me estar a comprometer com uma história longa. Apesar de ter continuado a escrever e fazer layouts para histórias, tenho desenhado muito pouco, não é o meu forte e não foi algo em que tenha investido muito tempo. Um fanzine A6 de 16 páginas num ritmo mensal ou trimestral com histórias curtas era uma boa maneira de voltar a ter projectos de BD concluídos. Os projectos inacabados, ou aguardando por desenhista, foram-se acumulando e estava com vontade de começar a concluir algumas coisas.
O Minizine era uma boa maneira de concluir e publicar num modo económico algumas coisas. Peguei nos apontamentos, vi o que poderia ser convertido num formato A6, comecei a rabiscar ideias para BD’s, ilustrações e curtos contos. A ideias foram-se acumulando, já tinha histórias para mais de um fanzine. Fui escrevendo os guiões, como os problemas do dia-a-dia não são poucos, e andei com muitas reticências para voltar a desenhar, o tempo foi passando sem que terminasse as histórias. Para além disso já tinha mais coisas escritas do que poderia desenhar, comecei a procurar desenhistas para ilustrar algumas das curtas. As histórias não são muito longas, o formato pequeno, o investimento de tempo e trabalho por parte dos desenhistas não seria muito. Acabei por encontrar alguns desenhistas que aceitaram desenhar as histórias e o que era para ser um regresso solitário acaba por ser com boa companhia.
Depois de anos de exílio voltei, tendo tido a sorte de todas a colaborações terem resultado bem. Agora que o material já está pronto, ou quase concluído para a primeira edição, a minha grande dúvida é se publico mesmo em A6 ou A5, é que aquelas pranchas até ficavam bem num formato maior. Contudo, depois de ter passado de 16 páginas, para 24 até ficar definido que seria uma edição de 28 páginas, o melhor será ficar-me pelo plano que estava estabelecido. Convém não começar a complicar o que deveria ser uma ideia simples e que deverá ter no mínimo umas 3 edições num ritmo bimestral.