Autor: editor

  • Feminista dissidente, da primeira geração, Camille Paglia é uma das vozes mais sóbrias na abordagem do feminismo, e do papel da mulher na sociedade.

    Eu dei uma aula na semana passada na qual eu falava sobre o filme “Núpcias de Escândalo”, com Katharine Hepburn. A mãe da atriz era uma das líderes da campanha pelo sufrágio das mulheres, e a própria atriz, antes da Segunda Guerra Mundial, estava participando das manifestações de sufragistas. Eu estava obcecada também por Amelia Earhart, pioneira da aviação e uma dessas mulheres emancipadas dos anos 20 e 30.

    Eu admiro demais essa geração de mulheres. Porque elas não atacavam os homens, não insultavam os homens e não apontavam os homens como fonte de todos os problemas das mulheres. O que elas pediam era igualdade de condições no âmbito da carreira e da política e queriam demonstrar que podiam obter as mesmas conquistas dos homens. Era como dizer: somos como os homens, admiramos os homens, amamos os homens.

    Hoje em dia, as feministas culpam os homens por tudo! Elas exigem que os homens mudem, querem que eles pensem e ajam como mulheres, almejam que o protagonismo dos homens seja reduzido. Esse é o terrível problema do feminismo contemporâneo, porque, em última instância, isso está fazendo as mulheres retrocederem e as está enfraquecendo.

    As mulheres de hoje não são tão fortes como as grandes mulheres dos anos 20 e 30. Então as pessoas me chamam de antifeminista. Mas não: eu sou contrária à ideologia feminista do presente, que é doente, indiscriminada e neurótica. E, mais do que tudo, não permite à mulher ser feliz.

    As mulheres precisam se responsabilizar por suas vidas e parar de culpar os homens por seus problemas, que têm mais a ver com questões e estruturas sociais, e não são fruto de uma conspiração masculina.


    Camille Paglia, em entrevista ao jornal brasileiro Folha de S. Paulo, fala sobre feminismo e a contradições do movimento.

    Eu adoro qualquer performance de rua, qualquer provocação pública, sejam manifestações ou brincadeiras. Adoro a ideia de pequenos grupos desafiando os poderes constituídos. Sempre participei de muitas delas até que fui disciplinada na universidade porque me colocaram em condicional por um semestre de tanto que eu aprontava.

    No entanto, essas meninas são totalmente incoerentes ideologicamente. Femen não faz o menor sentido, é algo fabricado que não tem nenhum sentido político. Uma mulher bonita, com belos seios e palavras desenhadas pelo corpo deveria estar apoiando a indústria do sexo, a prostituição e a pornografia, e não protestando contra a indústria do sexo. É ridículo e demonstra o nível de insanidade do feminismo radical atual.

    A entrevista pode ser lida na integra aqui.

  • O anarquismo é um conceito utópico que pressupõe a ausência de egoísmo, o pecado original do ser humano.

    O anarquismo não é um sistema viável porque necessitava que seja justo e não um regime abusivo é necessário o ser humano ter com uma maturidade que não existe actualmente.

    O egoísmo é a falha fundamental da nossa sociedade. Enquanto a humanidade continuar a privilegiar o ego – colocando em primeiro lugar as necessidades individuais em vez das do colectivo  – iremos sempre ter regimes despóticos.

    A generalidade das pessoas prefere seguir a liderar.As pessoas são comodistas, egoístas e não querem preocupar-se, chatear-se. A generalidade das pessoas só quer é ter direitos sem responsabilidades, e isso é incompatível com um regime anárquico.

    Para existir anarquia é preciso que exista respeito, consideração e o indivíduo assuma responsabilidade pelas suas acções e pelo bem estar do Outro. A generalidade das pessoas quer é que o Outro se preocupe com elas.

    O conceito de anarquia em si não é mau, tal como o conceito de democracia não é malévolo aquilo que os torna qualquer sistema pernicioso ou malévolo é o ser humano e  a sua tendência para abusar do sistema.

    Nunca vi qualquer exemplo prático de uma comunidade real ou virtual, realmente anárquica, em que não existe de facto líderes.

    A maioria das pessoas são ovelhas, limita-se a seguir quem tem poder ou quem lhes pode dar aquilo de que necessitam, só rejeitam o poder quando este não lhes providência o que querem, individualmente e não por uma consciência social.

    As revoluções não acontecem por vontade popular, mas por existirem lideres que as promovem. Um exemplo básico das massas amorfas é o 25 de Abril: uma revolução “pacífica” feita por motivos “egoístas” – acabar com a guerra no ultramar – e onde existiu mais conflito, mais violência, no pós revolução – quando a liberdade já tinha sido alcançada – do que durante a golpe militar para depor o Regime Novo.

  • Esta malta gosta de ser tão moderna e cosmopolita que acaba por ser mais patética que um pacóvio analfabeto.

    Uma piada de mau gosto tornou-se de um caso de polícia, se ainda não o é não falta muito, tudo devido a uma piada de mau gosto, e à preferência que a malta tem por termos estrangeiros, começa nos nomes e passa pelas terminologias.


    Comecemos pela piada de mau gosto, chauvinista e claramente provocadora:

    Tradução: Eu posso entrar…eu também. Eu não posso.

    Este cartaz poderia induzir-nos em erro e levar-nos a pensar que estávamos a falar de uma situação em qualquer país anglófono, mas não é um cartaz “português” que a malta cá gosta muito de usar o inglês, é mais cosmopolita e cool.

    O cartaz é uma piada machista, chauvinista e de mau gosto. Basicamente diz que os cães podem entrar e as mulheres não, isto é ofensivo. Usar um cartaz destes como imagem de marca é no mínimo uma atitude de mau gosto. Agora o mau gosto não é crime, do mesmo modo que o conceito do estabelecimento onde surge não é crime.

    É que a Figaro´s Barbershop, se tivesse um nome em português até era um conceito fácil de explicar: A Barbearia Figaro é um barbearia, ou seja uma coisa de homens, como os cabeleireiro eram uma coisa de mulheres até alguém descobrir que serem unisexo era mais rentável.

    Lição breve de história, com base na memória!

    Antigamente existiam barbearias para servir os homens, existiam cabeleireiros para servir as mulheres. São dois serviços para dois segmentos de mercado, e que requerem equipamentos diferentes: é que por muito que a malta fala de igualdade a verdade é que com algumas excepções, as mulheres não precisam de aparar a barba e os homens não usam cabelo comprido, que requer outros tipos de cuidados.

    Mas enfim, as coisas mudaram, porque um cabeleireiro unisexo rende mais que uma barbearia, em particular quando não existe muita gente que use barba comprida!

    Uma barbershop, termo inglês que significa barbearia e cuja tradução é literalmente: loja de barbas, não é um conceito inovador, é tão velho como os homens terem barba! Mas isto em inglês soa melhor. Agora existe um problema real: aquele cartaz é uma piada de mau gosto, mas o mau gosto não é crime do mesmo modo que não é crime abrir um estabelecimento dirigido a um público alvo: neste caso os homens.

    A coisa descambou por causa de uma questão simples: uma piada de mau gosto, e a “interdição” de entrada de membros do sexo feminino, um interdição que que serve para criar uma imagem de marca que faz pouco sentido, o malta é que um barbearia é mesmo só para homens e mesmo assim só para alguns, é que os que têm cabelo cumprido, se calhar ficam melhor servidos num cabeleiro unisexo. As únicas mulheres ainda poderiam utilizar os serviços seriam as que usam cabelo curto, mas mesmo assim… enfim.

    Isto é para ser moderno, por isso fazemos uma barbershop, soa melhor que barbearia, e usa-se um cartaz com uma piada de mau gosto e claramente provocador, mas bastante eficaz: tornou a barbearia do Figaro famosa em Portugal inteiro.

    Aparentemente o maior problema de discriminação das mulheres, de desigualdade entre os sexos nos direitos e salários entre homens e mulheres em Portugal resume-se a um simples facto: as mulheres não podem entrar na Barbearia do Figaro. A gravidade desse caso exige uma resposta à altura, e nada melhor que uma performance, um termo inglês que significa actuação ou, se preferirem, encenação.

    Foi no passado sábado, pelas 18.00: um grupo de cerca de 15 pessoas, na sua maioria mulheres, com as faces cobertas por máscaras e capuzes, irrompeu pela Figaro’s Barbershop, na baixa lisboeta, num protesto contra a política da barbearia que veda a entrada a mulheres.

    Ainda estou para perceber bem qual foi o objectivo desta performance que, neste caso, tem mais de demonstração política do que de encenação artística. Afinal o que é que a malta pretende: que a Barbearia deixe entrar mulheres ou que passe a ser unisexo? Que retire o cartaz? Fazer barulho? Encerrar o estabelecimento?

    Um produto para um nicho

    Ninguém é obrigado a ter um negócio direccionado a um público alvo, e uma especialização num nicho de mercado é a algo usual hoje em dia. Contudo, parece que o conceito de barbearia é algo de discussão fundamental. Por entre estrangeirismo de barbershop, performance, hipsters-trendy e “ismos” de feminismo, machismo, chauvinismo, fascismo e outros, fala-se de coisas que são relevantes sobre algo irrelevante, e no fim do dia quando surgir outro tema, nada do fundamental irá se alterar.

    É que no fim do dia, o melhor que irá acontecer é a Barbearia do Figaro tirar o cartaz e permitir que as mulheres entrem. Se o direito de admissão é discutível, o direito de direccionar um produto a um mercado não o é. E no fim do dia, essa é a real proibição de entrada que existe em qualquer estabelecimento.

    Desde que o primeiro Vivafit abriu, em 2003, Pedro Ruiz diz nunca ter recebido uma queixa. “É a mesma coisa que ir a um cabeleireiro para mulheres. Não se trata de discriminação. Se um homem entrar, como os maridos fazem, não há problema nenhum. Muitas vezes são eles que não se sentem à vontade e que se vão embora. Percebem que estão a mais”.

    Pedro Ruiz é o CEO e fundador da cadeia de ginásio Vivafit, outro dos casos de um estabelecimento que explora um nicho de mercado com base no género, neste caso os ginásios para mulheres.

    Se as pessoas deixassem de confundir direitos iguais com ser iguais, o mundo poderia ser um lugar melhor. Se as pessoas não tivessem tanta necessidade de ser moderna e cosmopolitas, se calhar alguns conceitos, como um barbearia, não causariam tanta confusão!

    Já agora, deixem-me salientar que para mim as barbearias e cabeleireiros serem unisexo ou não é completamente irrelevante, à mais de um década que rapo o cabelo em casa e não vou a barbeiros ou cabeleireiros!

     Actulização: O /r/portugal tem uma discussão interessante sobre o assunto, onde estão incluídas algumas pérolas de humor.

    Hipsters vs hipsters.
    Haja paciência para estes pintas.

  • As guerrinhas da BD são cansativas e desgastantes e por vezes parecem ser completamente inúteis, sendo na maioria das vezes perfeitamente evitáveis, contudo quando a única opção que existe é uma pessoa fingir-se cego, surdo e mudo, não existe outra opção senão falar.

  • O aCalopsia quando surgiu não tinha como objectivo ser um projecto de divulgação, um site generalista. A minha ideia original para o aCalopsia era fazer um blogue pessoal onde iria escrever sobre assuntos de BD que me interessavam, a escolha do nome a Calopsia esteve relacionado com esse facto: era uma maneira de dizer que era a minha visão – salientando que todas as pessoas têm, regra geral, a vista turva quando falam do que gostam – contudo o blogue acabou por se tornar num site enuma verdadeira aCalopsia.

    Deixei-me levar, o aCalopsia passou de um blogue pessoal para uma espécie de site noticioso, dentro das contingências de um projecto que não é sustentável financeiramente.

    Agora, o meu problema é que apesar de gostar do formato actual e da informação que se encontra por aqui, o meu tempo é limitado. Sendo este um projecto não remunerado, e não tendo eu qualquer ambição de ser jornalista, crítico ou “divulgador” de BD, as actualizações terão de passar a ser mais esporádicas.

    Algo que só não aconteceria se eu pretendesse continuar a deixar para segundo plano outros projectos pessoais, e não só.

    Para o aCalopsia continuar a existir um ritmo de actualizações regular, será necessário existirem outros colaboradores regulares que assegurem pelo menos alguns dos textos noticiosos, sejam das publicações regulares para bancas ou de álbuns para as livrarias.

    Posto isto, caso estejam interessados em colaborar, desenvolver um trabalho “jornalístico” de divulgação de BD é só contactarem através do formulário de contacto do aCalopsia, por mail ou através de mensagem no Facebook.

  • O Bizarro quando se transformou num site chegou a ter uma espécie de redacção, contudo era um bocado caótica e sempre sofreu de um mal: não existia um hierarquia bem definida. Parte do problema era derivado de, a partir de determinada altura, eu ter deixado de ser editor mas continuar a ser o editor.

    Algo que não aconteceu por eu gostar de ingerir em responsabilidades alheias, simplesmente em certas alturas era preciso colocar as coisas a mexer, para que o projecto não parasse como veio a suceder assim que me desliguei de vez.

    Agora, o aCalopsia é uma situação diferente. Independentemente de virem a existir outras pessoas a ter responsabilidades editoriais, a última palavra é mesmo minha. Não quer dizer que não deixe as outras pessoas moldarem o projecto, mas existem certos aspectos que estão definidos. Se os outros não concordarem não faz mal, escusam é de me fazer perder tempo e de perderem o tempo deles.

    A principal diferença entre o Bizarro e o aCalopsia é que o primeiro existiu numa altura em que eu já estava farto da mundinho da BD, de ser editor, e queria mesmo passar a pasta, por completo. Aliás, o Bizarro só existiu enquanto projecto editorial porque o João Machado estava, supostamente, na altura interessado na ideia do Bizarro enquanto plataforma de publicação e divulgação online. Eu, quando criei o site do Bizarro estava simplesmente a criar uma plataforma para poder publicar algum material de modo a poder atingir uma audiência mais vasta com os recursos que possuía. Na realidade nunca planeei continuar a editar o Bizarro, o site era suposto ser – como acabou por ser – o canto do cisne desse projecto. Agora o aCalopsia, desde o início que foi concebido para ter uma continuidade, dentro das possibilidades existentes. Só não estava nos planos era transforma-se num projecto informativo, algo que veio dar-me um trabalho extra, e que tem implicado algumas dores de cabeça.

    Para existir enquanto projecto informativo, o aCalopsia, como qualquer outro projecto similar, nunca pode fruto do trabalho de uma só pessoa.

  • Por vezes o nosso maior sucesso pode ser o maior fracasso.

    O Bizarro foi um fanzine que comecei a editar em 1997 e que teve uma história atribulada que terminou em 2004 com um epílogo em 2007.

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    Antes do Bizarro eu já tinha editado outros fanzines, nomeadamente o Arkham (1número), Ultimacto (1 número), Aardvark (4 números) e um número do Boletim do Clube Português de Banda Desenhada. O Bizarro era uma evolução natural dos esforços anterior, o resultado foi melhor  e mais coerente do que os esforços anteriores, pelo menos foi assim nos três primeiros, ao quarto número a coisa descambou um bocado resultado do meu desalento com o projecto e por já não estar muito empenhado no Bizarro. O quarto número que teve com número de capa o 12 estava muito mauzinho e foi o primeiro número que não tinha um só história escrita por mim. O número anteriores, terceira na cronologia e com o 4 como número de capa, apesar de também não possuir BD da minha autoria tinha material e um consistência a nível de formato e de linha editorial.

    O número 12 era mau, e só foi mesmo editado porque sim, sem grande convicção, nesta altura tinha virado editor quando esse trabalho tinha sido uma necessidade para me publicar. Comecei a fazer fanzines para me publicar, não tinha, nem tenho a ambição de ser editor, sou acima de tudo um autor. Só que nessa altura tinha virado editor, e a maioria já se tinha esquecido que eu escrevi e desenhava, incluindo eu próprio.

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    O número 21 (5º na cronologia) tem data de capa de Maio de 2000 mas só foi publicado uns meses depois. Esse número aconteceu sobretudo devido ao Paulo Amorim, um dos autores e editores do Vertigens. O Paulo tinha material para publicar que era para o terceiro número do Vertigens que nunca chegou a ser publicado, eu ainda tinha algum material que me tinham enviado para publicar. Co-editarmos o Bizarro parecia uma boa ideia, sobretudo porque o Paulo é que iria fazer as maquetes.

    O resultado final foi mais um Vertigens nº3 do que um Bizarro nº5. É que eu acabei por ser só editor no papel, e colaborei só com os textos. Muito do material que foi publicado foi escolha do Paulo e a abordagem gráfica era algo que reflectia só a sua visão. Apesar de tudo estava um excelente fanzine.

    Entretanto eu tinha andado a fazer algumas coisas, e foram-me enviando mais material pelo que acabei por editar um Bizarro #06 que regressou á numeração por ordem cronológica e estava mais perto daquilo que eu pretendia do Bizarro enquanto fanzine, quer a nível gráfico quer a nível de histórias. Foi o fanzine que marcou o meu regresso ás páginas do Bizarro enquanto autor (argumentista) sob pseudónimo e tem das minhas primeiras colaborações com outros autores (Elina Dias e Phermad).

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    O fanzine estava bom, mas não estava a planear continuar com o Bizarro, andava mais focado em concluir alguns projectos enquanto argumentista, quando começaram a surgir algumas das histórias curtas que tinha feito, comecei a pensar onde iria publicar, o Bizarro parecia um boa opção, mas as edições de papel tinham um alcançe restrito, pelo que decidi fazer um versão digital do fanzine.

    A ideia de colocar o material do Bizarro on-line já tinha algum tempo, chegou a haver uma primeira tentativa que foi abortada por divergências criativas entre mim e o webmaster, por isso desta vez resolvi fazer as coisas de uma maneira mais simples, peguei no FrontPage e meti-me a aprender a fazer um site.

    Foi assim que Bizarro começa a ter um presença na net, com o design possível pelos meus parcos conhecimentos de html. Conhecia dos fóruns e mailing list o João Machado que editava um webzine de prosa onde cheguei a colaborar e que tinha uns conhecimentos de webdesign um pouco melhores do que os meus, acabei por o convidar para fazer o design do Bizarro, algo que ele aceitou. A minha ideia era publicar as minhas novas histórias e algum do material publicado em papel e o projecto terminava aí, só que o João achava que valia a pena continuar com o Bizarro criando um espaço onde fosse possível publicar BD, ilustração e divulgar BD em português. Eu concordava com ele, só que não andava muito inclinado para ser editor. O rapaz insistiu e acabamos por chegar a um acordo em que ele iria ser o editor, começa aí a  melhor fase do Bizarro.

    O Bizarro ganha um design decente, começa a publicar BD, prosa, ilustração, artigos, criticas e notícias. A quantidade de material era grande e o trabalho também. A grande maioria do trabalho a nível de ilustração era sobretudo de autores estrangeiros que arranjar colaborações de autores nacionais era complicado, mesmo uma selecção de ilustrações que tinham feitas em casa. É que sabem, participar num projecto na net não chegava a gente suficiente, que isso da net ninguém liga!

    Existem algumas histórias giras que eu podia contar, mas não vale a pena.

    Foi editado mais um fanzine com histórias escritas por mim e ilustradas pelo Janus, João Mascarenhas e Marta Gomes, mais uma curta do David Soares.

    Dos outros projectos que eu tinha quase todos acabam por não se realizar, a nível pessoal tinha outros problemas que me fazem ter ainda menos interesse fazer BD ou estar ligado a ela. Em 2004 afasto-me do Bizarro, entretanto o João vai tendo outras coisas com que se preocupar e Bizarro deixou de ser actualizado, mais tarde o domínio não é renovado e desaparece da net. Os discos de backup desapareceram, ou estão perdidos no meio dos cds de alguém, Aquilo que foi o site do Bizarro é algo que só quem colaborou ou leu na altura sabe e que dificilmente vai ser possível recuperar, nem mesmo um simples screendshot.

    O Bizarro desapareceu, mas continuou a perseguir-me, em 2007 pensei em fazer uma edição comemorativa dos anos do Bizarro para encerrar o capitulo, convidei autores, reuni material, escrevi uma curta foi a primeira BD que assino com o pseudónimo de Chaka Sidyn. Contudo, a vontade de ser editor não estava cá, o investimento ainda era significativo para as minhas posses, pelo meio metem-se outros problemas a níveis pessoais e o Bizarro 10 nunca foi editado.

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    Mais tarde coloquei algum do material que tinha on-line no Foi Bizarro. Mais do que um maneira de trazer de volta o Bizarro, foi uma experiência para ver como aquela plataforma de publicação de BD funcionava. Quando o site do Bizarro foi feito existiam  muitas poucas ferramentas para publicar BD, o site funcionava com Movabletype adaptado com uns scripts para possibilitar a publicação e automatismos necessários.

    Hoje em dia publicar BD on-line é um bocadinho mais prático, existem várias alternativas que possibilitam um publicação eficaz, sem requerem grande conhecimento de publicação. Por cá poucos parecem interessados em as explorar, eu pessoalmente penso voltar a publicar BD online em breve, mas algo que não é um projecto colectivo como o Bizarro mas pessoal, com a eventual colaboração de um desenhista.

    O Bizarro sempre foi um projecto que visava a divulgação dos autores no geral, a criação de um plataforma que permitisse uma publicação regular, mas os autores geralmente não estão muito interessado na criação de algo que seja um projecto de médio longo curso, que não tendo um retorno imediato, permite o seu desenvolvimento enquanto autores e sua divulgação a um publico alargado.

    Em termos monetários seria extremamente complicado compensar equitativamente os autores, eram demasiados, no fundo o bizarro sofreu dessa ironia, publicou demasiados autores sem nunca ter autores a produzirem regularmente.

    Olhando para trás, tenho de admitir, o Bizarro foi demasiado ambicioso, mas apesar de ter falhado em vários aspectos foi um experiência enriquecedora e que valeu a pena.

    Podia ter sido melhor, mas no tempo em que foi feito, fazer mais do que aquilo que foi feito era difícil.

    O Bizarro morreu, mas a vida continua.